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Investigação do Ministério da Saúde sobre casos de síndromes respiratórias registrados nos últimos meses identificou que a primeira morte relacionada ao novo coronavírus foi em janeiro, mais de um mês antes da confirmação oficial da chegada da doença ao Brasil.


Trata-se de uma mulher, de 75 anos, que morreu no dia 23 de janeiro em Minas Gerais. Antes, acreditava-se que o primeiro caso da COVID-19 no Brasil era um homem de 61 anos internado em São Paulo após viagem à Itália.

"Nós tivemos, a partir de investigação retrospectiva, [a identificação de que] o primeiro caso é da semana epidemiológica 4, de 23 de janeiro", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kléber de Oliveira.

Segundo o secretário, o número de internações por síndromes respiratórias graves no Brasil cresceu 197% em 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. A  maior parte dessa dfierença se concentra nas ultímas semanas, quando já se sabia que a COVID-19 estava em disseminação pelo país, mas o número de casos também estava acima do anterior nas primeiras semanas do ano.

Investigação

A investigação retroativa que está sendo realizada pela pasta contempla casos de pacientes hospitalizados, que tenham material coletado durante a internação disponível para análise. O secretário Wanderson de Oliveira afirmou que o material da paciente de Minas Gerais foi submetido a teste laboratorial e "sem dúvida que é um caso confirmado".


Wanderson de Oliveira afirmou também que apesar de agora ser possível dizer que havia o novo coronavírus no Brasil em janeiro, tratavam-se "obviamente" de casos "importados", ou seja, de pessoas que contraíram a COVID-19 durante viagens a outros países.

O secretário de Vigilância em Saúde disse também que realizar investigações retroativas é um padrão da ação ministerial em caso de epidemias. Segundo ele, durante a crise do zika vírus, se descobriu que o primeiro caso da doença havia sido, na verdade, de abril de 2014, um ano antes de ter sido descoberta.